quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Rosa Negra


Ao luar, tão belo de Janeiro, amarelo avermelhado, escondido por detrás das serras portuguesas, refugiei-me novamente. Ausentei-me nos carvalhos, lagos, núvens...nas cores do crepúsculo invernal, surgido precocemente. Quando fiquei completamente só, perdida na ausência, procurei-te...chamei por ti, mas não ouviste. Deslisei, encostada ao muro, até sentar-me, dobrando os joelhos, escondendo a minha face como Lua a sua. Fechei os olhos continuando a procurar-te...fui buscar-te à memória, só ela guardou a tua imagem perfeita. Vi-a, observei-a atentamente...gritei. Gritei até as aves me calarem, até os carvalhos se fartarem, até os lagos secarem e as serras acordarem tornando-se homens. Em cada um deles vi um fragmento teu, tentei ligá-los todos e formei-te. A perfeição do teu sorriso, a sedução do teu olhar, a sensualidade do teu corpo...tudo isso criei. Chorei...foi tão sinceramente, que a terra não se importou que a regasse. E cada lágrima caída sobre a terra tornava-se numa rosa negra espigada. Colhi uma delas e cheirei...a frescura e a tristeza surgiram todas dela. Pureza do perfume despertou o sentimento. Sorri...com vontade de gritar, mas desta vez o teu nome, dizendo que te amo profundamente. Apenas suspirei, sussurando as iniciais do teu nome...e do suspiro apareceste tu, no primeiro raio de Sol daquele dia.

sábado, 8 de março de 2008

Tu és(...)


A vida é só um momento. Para quê desprezar esse momento com coisas que não valem a pena? Para quê perder o momento por quem não o merece?
O meu coração é uma pérola. Escondê-la-ei numa concha e mandá-la-ei para o mar, para as profundezas do infinito, para que ninguém a encontre.
O meu sentimento é só um pássaro cativo na tua gaiola. Abri-la-ei e deixarei o pássaro voar. Não o caçarás mais pois ele é a minha liberdade.
Os teus olhos são o lago onde procuro a minha imagem e as mãos são as árvores debaixo das quais procuro esconderijo das minhas chuvas lacrimosas. No teu corpo procuro acalmar as tempestades. Porém, nada disso encontro!
Tu és a droga mais pesada qual não sabia negar. És o vício mortal no qual procuro perder-me. Mas hoje, hoje deixarei esse vício em três minutos, enquanto lês a confissão.

P.S.: Amo-te até não poder mais!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Vida?

Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é tantas vezes assim? Passamos dias, semanas, meses, anos, a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz e desmorona, numa sucessão de azares impossível de travar.
Quando o meu domino começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.
Depois, com muita calma, começo a monta-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o a crescer sozinho, como se o embate que fez cair as peças tivesse o poder de as levantar.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Perdi tudo o que me interessava(!)




A vida já não faz sentido. Perdi tudo o que me interessava. Porquê? Porque é que já nem tenho pensamentos. Não durmo, pois tenho medo de dormir por não ter sonhos. Jamais sonharei com algo importante da minha vida. Nem com a vida me dou bem, pois sem apoio não consigo! Desejo alcançar o mais sonhado, mas sinto que sou demasiado fraca. Lutar contra o meu lado negativo, a minha faceta mais estupida do que já sou. Matar em mim a frieza, a arrogância e a antipatia acumulada. Mas sempre que estou prestes a conseguir, a outra revela-se mais forte e o meu corpo é dominado de novo. Já não sei lidar comigo, com ela, com a vida. Sou fraca e admito isso. E as acções também já não me obedecem. O que é que se passa? Será que é o fim? O fim, aquele fim que nunca mais chegava quando ainda era forte e lutava com o meu mal que se apoderava. Os sonhos hoje são inalcançaveis. Estou a perder, como perdi tudo aquilo que me interessava. Já não pertenço a mim mesma. Sou um simples esqueleto. Oços, carne, pele, cabelo, olhos...e a boca? A boca já não me serve de nada. Os lábios não se mexem para a pronúncia de um 'não' aos problemas, às mudanças e às falsidades. Falsa? Será que o sou mesmo? O topo de sucesso não me pertence, esse sucesso não é meu...jamais será! Tampouco os olhos me servem de alguma coisa...as lágrimas não escorregam pela face, como o fracasso não se revela aos outros. Não sinto nada. Frieza, o sinal de sofrimento e dor constantes que se tornaram um hábito em mim. Valho nada, sirvo para nada porque perdi tudo o que me interessava!
post in: MissNattyGirl

domingo, 24 de fevereiro de 2008

sonetto

O que interessa nós que vivemos
Fazermos muito ou, então, parar
Se, mesmo que não quisermos calar
Acabamos por ceder e, morremos.

Que importa se é o que queremos?
Se nós somos muito bons a cantar
ou então todos nos ouvem falar?
Acabamos por ceder e, morremos.

Para quê mudar inteiro(nosso?) mundo?
Se sabemos que não o conseguimos
E eu vou para o cachão corcundo.

Ou então hirtos, vamos, prosseguimos,
como aquele guerreiro hundo:
ultrapassa a muralha: conseguimos!

post in barba-de-milho

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Ama-se

Quando se ama, ama-se da esquerda para a direita, da direita para a esquerda. De cima para baixo, de baixo para cima. Na diagonal. A cores. A preto e branco. A guache. A acrilico. A marcadores, a grafite, a caneta preta, verde e roxa. De pernas para o ar, de bracos esticados. A fazer o pino, a cambalhota, a roda, a rodada. Ama-se a plasticina, a carvao, a quente, a frio. A congelado, a escaldar. Ama-se bem e mal passado. Ama-se a correr, a caminhar. Ama-se á chuva e ao sol. Ama-se a rir, a gritar, a chorar, a falar, a berrar. Ama-se ás trincas, ás garfadas, ás colheradas. Ama-se com prato e sem prato. Ama-se com musica, com desenhos, com pinturas. Ama-se com baton e com rimel. Ama-se de olhos abertos, de olhos fechados, no escuro e á luz. Ama-se por tudo. Ama-se por nada. Ama-se.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Preto!


Isto é tudo tão esquisito!

É um aperto na barriga, uma dor esquisita no peito e a sensação das lágrimas a caírem por terem motivos, por desabafos.

Revolta!

Olhar para as minhas coisas mais importantes como a minha máquina fotográfica e pensar: Para que é que eu quero isto? Para que é que serve? Para mandar contra a parede? Para partir aos bocadinhos e fazer puzzles?
Vontade!

Sim tenho! Tenho vontade de ir a correr para ti, mas não! Tenho vontade de ir a correr para o colo quentinho e aconchegador da minha mãe, abraça-la e dizer que a amo e que é a pessoa mais importante para mim e chorar, chorar, e chorar, chorar até não ter mais nenhuma lágrima para deitar, até não aguentar mais!, mas também não!

Lágrimas!

Essas continuam a rebolar pela face a baixo enquanto escrevo e ouço aquela música, aquela que ouvimos vezes sem conta, aquela que marcou todos os nossos momentos!


... Please, don't leave me alone!