sábado, 27 de outubro de 2007

Uma noite

Soltei um suspiro no éter, que foi projectado para o vazio, não havia nada que pudesse ocupar o que sentia naquela noite! Fiquei a noite toda acordada, dirigi-me para a varanda do meu quarto, fiquei por ali no decorrer da noite, escutando os chilrear dos bichos, a contemplar os morcegos a voar, por cima da minha cabeça! Enfim, não sei porque, nem de onde veio aquela atitude, o meu inconsciente misturado com o vazio do meu coração levaram-me a ter aquela reacção. Encontrava-me imobilizada, encostada à parede de xisto, embrulhada no meu cobertor, encontrava-me completamente gelada, parecia que o sangue já não corria, dentro de mim. Meu rosto, encontrava-se pálido, parecia ser uma figura de cera, meus pés, esses nem os sentia! Passaram mil e um pensamentos, passaram mil e uma atitude pelo meu pensar. Não agi, com receio de perturbar o sono dos que por ali habitavam! Começou amanhecer e os morcegos começaram a desaparecer, mas eu por ali fiquei, que nem estátua, que nem Ser sem o ser! Uma aragem debateu sobre o meu rosto sem cor, arrastou os meus cabelos, levou os meus pensamentos juntamente com o meu coração! Avistei algo que fez com que o meu coração batesse com mais intensidade, e eu quase já morta, quase sem forças, levantei-me para ter a certeza que eras tu! Talvez fosse tudo da minha imaginação, talvez nem existisse ninguém por ali aquelas horas da madrugada. Soltei-me do cobertor, apenas com uma camisa de seda, corri em tua direcção, não sei onde foi buscar forças para correr, talvez as fosse buscar dentro de mim. Cheguei lá e não se encontrava ninguém, mas o meu coração continuava a bater com a mesma intensidade, morta de cansaço, morta de esperar, morta de frio, cai sobre o alcatrão gelado, mergulhei os meus olhos sobre o chão e fiquei por ali. Olhei para o horizonte e avistei um pequeno bilhete, com esperança que fosse algo para me aconchegar o coração que se encontrava arrastado por um tsunami que por ali tinha passado, desfolhei o pequeno papel amachucado que dizia: ‘’ Todas as maravilhas que precisas estão dentro de Ti, assinado teu astronauta. ‘’ Rebolei sobre aquela camada de alcatrão, meu coração sorriu, levantei-me e foi para o meu quarto. Abri a gaveta de sonhos que continha um coração de chocolate, e pousei o papel lá! Bocejei, tirei a camisa de seda que escondia as formas do meu corpo. Levantei os lençóis e mergulhei sobre eles. Acordei com os gritos da vizinha a mandar calar o pequeno gaiato que só pensava em fazer asneiras, estava cheia de sono mas sei que não conseguia adormecer outra vez, decidi levantar-me, arrastando comigo o lençol, com objectivo de cobrir o meu físico, vigiei entre os buracos do estore, e avistei o encantador astro-rei, que já aqui habita à 4600 milhões de anos, liguei o zen, pôs uma musica afrodisíaca e comecei a dançar , escondida entre o lençol branco . Por momentos visualizas-te a gesticulação do meu cadáver como ninguém alguma vez tinha visto! Como a imaginação do Ser Humano pode ser tão elevado, como tão baixa, como a imaginação do Ser Humano nos pode fantasiar e mergulhar sobre um véu de pureza! A música tinha terminado e o sonho acabado, esfreguei os olhos e tudo tinha passado, tudo tinha se transformado em pequenas bolas de sabão.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Pois bem

Pois bem... Parece que a professora, e conjuntamente, directora de turma não estava a mentir...
É uma boa iniciativa para incentivar os jovens a escrever, uma vez que existem, e gradualmente vão aumentando, pessoas que nem falar, falam corretamente. Já não falo dos bués e dos yas, passando ainda pelo gracioso brô. O que aqui me refiro é a utilização errada, na mesma frase, de dois grupos de recursos linguísticos: verbos e adjectivos.
A frase a que me dirijo é:"tás pior!"
Em primeiro lugar analisemos a coerência da frase. Quando um sujeito indeterminado refere-se a uma pessoa dizendo tás pior, a pessoa fica sempre á espera do resto da frase. mas então tou pior que quê? pensará essa pessoa, qual será o termo de comparação utlizado, para que seja eu, logo eu, que esteja no fundo da lista?? Eu sei isto porque já eu me senti assim. Impotente para responder à letra porque na realidade não sabemos sobre o que é que estamos a ser criticados. Houve, inclusivamente, uma vez que se viraram para mim e disseram tás pior. Eu logicamente parei a minha marcha para que a pessoa pudesse completar o seu insulto. Pois bem... Ela olha-me, eu, como já estão a ver, olho para ela, e ela diz-me olá. Epá, na altura fiquei contente, porque pensei que iria ser violentamente agredido psicologicamente. Mas depois reparei que já nem a arte de bem insultar é excutada com correcção.
Em segundo fui ver ao dicionário esse verbo tão popular que se designa por tar. O máximo que se encontrava entre taq e tara, era taquipsíquico. Bem não me pareceu muito parecido( não liguem a redundância) mas fui ver a descrição: sobreexcitação das funções psíquicas com veloz associação de ideias, traduzindo-se na expressão verbal por mudança de assunto e elipses, observáveis nos estados maníacos e epiléticos; a primeira até percebi, agora a segunda, de elipses na expressão verbal, parece-me, a mim, treta.
Deixo-vos com esta observação: essa pessoas que usam essa expressão querem ser cool, mas quando uma pessoa ouve este tipo de expressões pela primeira vez ao que é que associa? À giria dos dependentes de produtos potencialmente viciativos.
Despeço-me com a honra de ter sido o primeiro a ter a ousadia e coragem de escrever nesta página digital.